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A proposição, de autoria do deputado estadual Antonio Carlos Arantes (PSDB), tem o objetivo de reduzir área de proteção integral do Monumento Natural Estadual da Serra da Moeda.
 

A Serra da Moeda - que ocupa uma região estratégica em relação aos recursos hídricos da Região Metropolitana de Belo Horizonte – está ameaçada por mais um projeto de expansão mineral.

Com o apoio político do deputado estadual Antonio Carlos Arantes (PSDB), a empresa Gerdau pretende reduzir área de proteção integral, que integra o Monumento Natural Estadual da Serra da Moeda. Criado em 2010, decorreu de medida compensatória por danos ambientais causados pela empresa Gerdau. Ocorre que, agora, a empresa pretende o apoio da Assembleia Legislativa para reduzir essa área de proteção integral integrante do MONUMENTO NATURAL ESTADUAL DA SERRA DA MOEDA.

Para quem não sabe, monumento natural é uma categoria de proteção jurídica ambiental que tem o objetivo básico preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica. Nessas áreas é proibido o uso direto dos recursos naturais, o que garante a proteção efetiva de nascentes importantes para o rio Paraopeba, recentemente impactado pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho-MG.

PEDIMOS APOIO DE TODOS PARA QUE VOTEM CONTRA ESSE PROJETO NA ENQUETE DO SITE DA ASSEMBLEIA DISPONÍVEL NO LINK ANEXO.

PROJETO DE LEI - VOTE CONTRA

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A SERRA DA MOEDA E AÇÕES EM DEFESA, SIGAM O INSTAGRAM E BLOG:

INSTAGRAM  @abraceaserra





As associações sem fins lucrativos que atuam em defesa da Serra da Moeda ajuizaram Ação Civil Pública para garantir a proteção dos recursos hídricos e de unidades de conservação da região

Ajuizada em julho de 2020, contra a Gerdau Açominas S/A e o Estado de Minas Gerais, a ação judicial denuncia irregularidades na Mina Várzea do Lopes, na Serra da Moeda, operada pela mineradora Gerdau, ao longo de anos. Segundo as entidades, a empresa atua em desacordo com as licenças ambientais e invadiu área de proteção integral do Monumento Natural Estadual da Serra da Moeda. O processo, que leva o número 5094834-97.2020.8.13.0024, objetiva interromper a invasão pela mineradora dessa importante unidade de conservação de proteção integral.

Assinam a ação  a ONG Abrace a Serra da Moeda; Associação Serra Viva, Associação do Patrimônio Histórico, Artístico e Ambiental de Belo Vale (APHAA-BV), Associação de Meio Ambiente (AMA MOEDA) e INSTITUTO AQUA XXI







Hoje é um dia importante para a Serra da Moeda.

Às 14 h. acontecerá a Consulta Pública para criação do MONUMENTO NATURAL SERRA DAS ÁGUAS, em Itabirito-MG.

A reunião será transmitida pelo Google Meet  e Facebook.


Links serão disponibilizados nas páginas oficiais da Prefeitura de Itabirito.


Link: https://www.facebook.com/prefeituraitabirito/?ti=as

Link : http://www.itabirito.mg.gov.br/?noticia=consulta-publica-on-line-discute-a-criacao-de-unidade-de-conservacao-na-serra-da-moeda-em-itabirito

MAIS INFORMAÇÕES: https://abraceaserradamoeda.blogspot.com/2020/07/itabirito-realizara-consulta-publica.html







ASSESSORIA TÉCNICA é a atividade exercida por organizações e/ou indivíduos que detém conhecimento técnico sobre determinados temas e problemas que afetam as pessoas. Essas organizações e/ou indivíduos são denominados de especialistas em diversas áreas de conhecimento, como na área do direito, arquitetura, urbanismo, psicologia, agronomia dentre outras.

 Para Brumadinho, conforme determinado pelas Instituições de Justiça, a proposta é que seja selecionada uma entidade sem fins lucrativos responsável por contratar equipes técnicas em diversas áreas do conhecimento com o objetivo de colaborar para a defesa dos direitos da população de Brumadinho, atingida pelo rompimento da barragem da Vale, proporcionando acesso à informação, inclusive técnica, de modo a assegurar a participação informada da população. Apenas uma entidade irá representar Brumadinho e será responsável por:

        identificar quem são atingidos;
     contratar as equipes técnicas em diversas áreas para atender os atingidos, considerando a extensão, intensidade e especificidade dos danos, observando situações de vulnerabilidade social;
      apoio técnico e organizacional para viabilizar a participação informada em todas as ações de reparação de danos.

Todas as regras foram definidas pelo  Ministério Público Estadual e Federal, Defensoria Pública Estadual e Federal, conforme link que segue:  https://www.mpmg.mp.br/areas-de-atuacao/defesa-do-cidadao/inclusao-e-mobilizacao-sociais/conflitos-socioambientais/

Previsão de eleição da assessoria técnica de Brumadinho: 19/05/2019, 8h-18h, local à definir.




Após 90 dias do crime da Vale S/A, em Brumadinho, o vazio, o luto e a indignação permanecem. Até quando a exploração desenfreada de empresas, que se dizem responsáveis como a Vale, vão continuar nos oprimindo? Até quando moradores de outras regiões de Minas Gerais terão que conviver com o medo de um novo rompimento de barragens?

O 12° Abrace a Serra da Moeda foi o momento de revelarmos as nossas vozes. Não queremos deixar que a impunidade vença. A nossa luta, mesmo diante do luto, continua. Acompanhe um pouco como foi o nosso dia de Tiradentes, quando relembramos a luta histórica dos mineiros contra a exploração injusta das riquezas do Estado.








Rejeitos de lama da Mina Córrego do Feijão interditaram estrada que liga distrito de São José do Paraopeba ao centro da cidade. Com isso, única linha de ônibus do vilarejo teve seu quadro de horários reduzido, provocando superlotação no transporte público; Diariamente, idosos e crianças viajam, mais de 2h em pé

            Além da morte de 201 pessoas e deixou até agora 107 desaparecidos, até o momento, o rompimento da barragem I, da Mina Córrego do Feijão, administrada pela Vale, em Brumadinho, vem causando transtornos à população local. Por ter sido atingida pelos quase 13 milhões de m³ de rejeitos, a estrada que liga o distrito de São José do Paraopeba ao centro da cidade está interditada. Com isso, a única linha de ônibus que circula no vilarejo teve seu quadro de horários drasticamente reduzido.
       Atualmente, os moradores da região, formados majoritariamente por quilombolas, são atendidos apenas com dois carros por dia, que para chegarem ao centro de Brumadinho, precisam fazer um trajeto de 2h30 [antes esse percurso era feito em 60 minutos], por uma estrada perigosa, dentro da mina da Vale. Por causa da redução de horários, os veículos estão circulando superlotados, com passageiros em pé, inclusive idosos e crianças. Todos submetidos a um transporte desumano.









Organizada pelas associações comunitárias, Ongs e entidades representativas, a reunião contou com a presença de centenas de pessoas nesse domingo, 10, no Distrito de Aranha.

Domingo, dia 10/03, às 9h30, na quadra coberta de Aranha, foi realizada uma reunião entre moradores de Brumadinho, atingidos pelo rompimento da Barragem da Vale no Córrego do Feijão, que estão isolados da sede do Município há 45 dias. Com a presença da Defensoria Pública de Minas Gerais, do Prefeito de Brumadinho e vereadores, as associações e moradores apresentaram suas insatisfações com os desdobramentos desse desastre criminoso da Vale.
Foram tirados os seguintes encaminhamentos da reunião que serão apresentados formalmente ao Estado de Minas Gerais, Ministério Público Estadual e Federal, Defensoria Pública e anexado na ação de ações emergências da Vale, com a lista de presença.
1-              Exigir a liberação, em até 48 horas, de acesso alternativo seguro, com abertura ou melhoria de estradas alternativas com implantação de transporte de passageiros. A população propõe a implantação de vagões saindo de Casinha e Maçangano e parando em todas as comunidades por onde passa o trilho de trem (que pertence à Vale/MRS) até a sede do Município, com a local adequado para transporte de passageiros e de mantimentos. Também a construção de ponte, com passagem de passageiros segura, em Melo Franco, com a ampliação dos horários de ônibus e local adequado que permita o transporte de mantimentos. O Prefeito de Brumadinho comprometeu-se a enviar um ofício para a VALE exigindo a liberação em até 48 horas de acesso alternativo seguro para as comunidades do interior.
2-              Implantação imediata de ambulâncias 24 horas, com medicação, em todas as localidades de Brumadinho, pois há relatos de mortes por atraso no socorro, devido à interdição da estrada pela Barragem da VALE.
3-              Ponto de apoio psicológico gratuito nas diversas localidades do interior, diante dos abalos emocionais vivenciado por toda a população de Brumadinho;
4-               Ponto de apoio em cada localidade de Brumadinho para coleta dos formulários com dados pessoais e bancários para o pagamento emergencial, que segundo foi esclarecido na reunião, trata-se de adiantamento de indenização. Solicita-se que seja dada ampla divulgação dos procedimentos, sendo que muitos manifestaram insatisfação, pois essa coleta de informações tem que ser feita em cada comunidade, pela própria Vale ou empresa contratada, com acompanhamento da Defensoria Pública. As comunidades, associações não podem ficar com essa responsabilidade, haja vista que determinadas comunidades possuem mais de uma entidade representativa e isso pode acarretar problemas, além da segurança de informações confidenciais das pessoas não ser colocada em risco.
5-              Que sejam ampliadas as rotas dos ônibus da APAE, pois, em razão da interdição da estrada, há apenas um ônibus, que sai às 5h da manhã e precisa contornar todo o interior antes para depois seguir para a sede.
6-              Que seja esclarecido se o pagamento de 20 milhões para o Município de Brumadinho realizado pela Vale no dia 26-02 se refere a doação ou adiantamento do CFEM que seria devido, caso a empresa não tivesse paralisado as atividades.
7-              Ampliar a presença da Polícia Militar no interior de Brumadinho, pois as localidades estão completamente desassistidas em termos de segurança pública. Solicitam ainda urbanidade no tratamento com os moradores de Brumadinho, atingidos pelo Crime da Vale.
8-              Reivindicações constantes no Manifesto da reunião de 24-02, incluído o estabelecimento de ações que fortaleçam as associações e atores locais de Brumadinho.  
9-              Sobre as assessorias técnicas, foi informado à população atingida terá assessoria técnica a ser indicada pelas instituições (Estado de Minas, Ministério Público e Defensorias). Contudo, foi demonstrada insatisfação sobre esse processo que não está sendo transparente. Sendo assim, questiona-se às instituições envolvidas: (1) os resultados já obtidos pelas Assessorias Técnicas contratadas na Bacia do Rio Doce (para a efetivação de direitos das populações atingidas); (2) a sua vinculação com os Movimentos Sociais, com as igrejas e partidos políticos; (3) os valores financiados para a realização dos trabalhos, dentre outros importantes pontos.









Milhões de metros cúbicos de rejeito da mineradora Ferrous podem ter contaminado a água do Rio Paraopeba.

Em meio a plena crise de abastecimento de água na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no último fim de semana, dia 08/02, a barragem de rejeitos da mineradora Ferrous Resources do Brasil foi rompida em Brumadinho, na Mina Esperança (localizada ao lado do INHOTIM), o que pode ter contaminado o Rio Paraopeba em milhões de metros cúbicos com rejeito.

A exata dimensão do dano ambiental ainda é desconhecida, pois a Secretaria Municipal de Meio Ambiente não apresenta detalhes sobre o fato e minimiza o ocorrido. Entretanto os vídeos enviados para a ONG Abrace a Serra demonstram a dimensão do dano ambiental.

A captação de água do Rio Paraopeba tem sido visto pelas autoridades estaduais como a solução para contornar a crise de água. Contudo, diante desse desastre ecológico, o cenário que já era ruim, pode piorar.

Em anexo dois vídeos enviados anonimamente para a ONG Abrace a Serra que demonstram o ocorrido.




 Localize a área do impacto:

Luiz Paulo Guimarães de Siqueira*
29/01/2015

Minas Gerais enfrenta talvez a pior crise hídrica de sua história. Em pleno janeiro, período normalmente chuvoso e com abundância de água, o estado registra que cerca de 140 municípios já adotaram medidas de restrição e limitação no fornecimento de água.

Sem dúvida, esta situação não surge fortuitamente, mas sim, reflexo de uma longa trajetória de ausência de planejamento público por parte do Estado e, também, fruto de gestões marcadas por deixar Minas, literalmente, em choque.

A grave situação de falta d’água está mais intensa na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Se, por um lado, se constitui como a região de maior adensamento populacional, por outro, a RMBH juntamente com o Colar Metropolitano se configuram como a região de maior intensidade das atividades minerárias no estado.

De acordo com o 2º Relatório de Gestão e Situação dos Recursos Hídricos de Minas Gerais, publicado pelo IGAM em janeiro de 2015, a mineração foi o quinto setor que mais obteve outorgas para uso de água em 2013. Mas, somente analisar o número de usos outorgados podem nos levar a uma interpretação equivocada sobre quem são os atores que mais consomem água em MG. Pois não podemos deixar de levar em conta que há uma significativa diferença entre o volume de água outorgado para atender o consumo humano, por exemplo,do que o volume utilizado para atender a exploração mineral.

Neste contexto, chama a atenção, a petulância das grandes corporações da mineração de optarem pela utilização de minerodutos para exportar nossos minérios. Para quem não conhece, minerodutos são grandes tubulações que transportam minério diluído em volumosas quantidades de água, formando uma polpa de minério, semelhante à borra de café, sabe?

Como o minério precisa ser diluído e bombeado por água, os minerodutos precisam manter a pressão para conduzir o minério. E é por isso, que para além do alto consumo de água para a formação da polpa do minério, os minerodutos inerentemente causam diversos impactos ambientais. Pois para manter a pressão do bombeamento, os dutos têm de desviar dos morros, percorrendo dessa maneira os vales, que são as regiões onde estão concentrados os cursos d’água, brejos, nascentes, as melhores áreas de plantio e moradia.

Em Minas, há hoje diversos minerodutos de pequeno porte, como o caso do projeto da MMX em São Joaquim de Bicas, que provocou grandes transtornos na região destruindo nascentes e prejudicando produtores rurais e o abastecimento de água. Mas há, também, minerodutos de grande porte, que levam os minérios da mina até o litoral, onde são exportados através dos portos. No caso dos grandes minerodutos, o estado conta atualmente com 8 projetos, 4 já em operação e mais 4 que pleiteiam as licenças ambientais. Sobre estes, vamos tentar entender como funcionam e o quanto de água estão tirando dos mineiros.

A Vale/Samarco possuem 3 minerodutos ligando a Mina Alegria, em Mariana, até o porto de Ubú no Espirito Santo. Depois de anos destruindo os mananciais de Mariana e Ouro Preto, essas mineradoras não tiveram alternativa a não ser captar água instalando uma adutora para utilizar 82% do potencial hídrico do Rio Conceição no distrito de Brumal, em Santa Bárbara. Moradores da região alegam que na época de estiagem o rio termina, literalmente, no ponto de captação para o duto. São utilizados para a funcionamento dos 3 minerodutos cerca de 4.400m³/hora. Não se pode esquecer que em 2010, um dos minerodutos da Samarco/Vale rompeu no município de Espera Feliz causando um grande desastre ambiental jorrando lamas de minérios, inviabilizando o abastecimento público da cidade e ocasionando a mortandade de toda biodiversidade afetada.

A multinacional Anglo American se orgulha em dizer que é dona do maior mineroduto do mundo. Com cerca de 525 km, o projeto Minas-Rio parte de Conceição do Mato Dentro até o Porto de Açu em São João da Barra (RJ). A mineradora capta 2.500m³/hora da região e desde sua chegada tem causado grandes transtornos e prejuízos às comunidades no entorno. Tem o orgulho de dizer que o processo de licenciamento ambiental do projeto possui 364 condicionantes e que, diga-se de passagem, sem quase nenhum cumprimento. Ao iniciar a operação do mineroduto em 2014, foram visíveis as consequências no ambiente, com drásticos assoreamentos dos córregos, mortandade de peixes, de gado e a inviabilização do uso social da água na região.

A Ferrous Resources, empresa de capital estritamente estrangeiro, pleiteia a instalação de um mineroduto partindo de Congonhas até um porto em Presidente Kennedy (ES). Inicialmente, seu projeto era de partir de Brumadinho, através da exploração da Serra da Moeda, também conhecida como Monumento Natural Mãe D’água, mas graças à forte resistência das comunidades quilombolas e do Abraço da Serra da Moeda a mineradora foi obrigada a ajustar seu projeto. A Ferrous, que em seu projeto alega a intenção de possuir dois dutos, vai captar 3.400m³/hora do Rio Paraopeba, manancial fundamental para o abastecimento da RMBH. Em seu processo de negociação com as famílias atingidas a mineradora possui um legado de sistemáticas violações de direitos humanos, sendo alvo, por exemplo, de representações do Ministério Público Federal. Além disso, o mineroduto ameaça a segurança hídrica de milhares de comunidades rurais e cidades inteiras como é o caso de Viçosa e Conselheiro Lafaiete. As prefeituras de Paula Cândido e Viçosa, assim como as Câmaras Municipais, estão empenhadas para impedir o retrocesso que representa a passagem do mineroduto na região, ajuizando inclusive ações judiciais contra a mineradora.

A Manabi, que pretende instalar uma mega-mina em Morro do Pilar, também pleiteia a instalação de um mineroduto para transportar o minério de ferro. Marcado por grandes tensões, o processo de licenciamento ambiental do empreendimento tem sido feito na marra, causando muita polêmica. Entre os vários motivos destacam-se a iminência de destruição de fragmentos de mata atlântica primária, a negligência da existência de comunidades tradicionais e destruição de trechos do patrimônio histórico e cultural da Estrada Real. A Manabi pretende captar cerca de 2.850m³/hora, degradando ainda mais a bacia do Rio Santo Antônio já tão afetada por grandes empreendimentos. Em 2014, a Prefeitura de Açucena revogou as autorizações concedidas à mineradora após a compreensão que somente destruições o empreendimento deixaria à cidade.


O povo do semiárido mineiro parecia a salvo destes tipos de empreendimentos, pois a região apresenta sérias dificuldades de acesso à água e se já não bastasse a árdua luta dos geraizeiros e comunidades tradicionais contra as eucalipteiras que, sem nenhum pudor, tratam de grilar grandes terras no Vale do Jequitinhonha e Norte de Minas. Mas as mineradoras não ligam muito para a dificuldade de abastecimento do povo não. A Sul Americana Metais (SAM), do grupo Votorantim, pretende explorar 25 milhões de toneladas de minério de ferro por ano no município de Grão Mogol. E por incrível que pareça, a ousadia da mineradora não tem limites, pretende escoar o minério através de um mineroduto. Serão captados da região 6.200m³/hora para viabilizar o empreendimento. Lamentavelmente, o IBAMA é condescendente com esse crime e tem conduzido de forma arbitrária o licenciamento chegando a marcar audiências para fevereiro de 2015, em um gesto de que planeja licenciar o mineroduto às pressas. O Ministério Púbico Estadual e laudos de pesquisadores da UFMG e UNIMONTES denunciam o não reconhecimento de comunidades tradicionais no processo e a inviabilidade de se instalar um empreendimento desta natureza em um local onde, simplesmente, não há água.

Se somarmos os volumes de água utilizados por estes projetos chegaremos ao escandaloso valor de 19,350m³/hora. De acordo com o diagnóstico dos Serviços de Água e Esgoto do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades, o consumo médio per capita de água, em Minas Gerais, é de 159 litros por dia. Ou seja, o valor consumido por estes projetos minerários equivale ao abastecimento de cerca de 2,900 milhões de mineiros ou, o suficiente para atender a demanda de quase 50% da RMBH.

Quando se pergunta às mineradoras do por que de se optar pelo transporte via minerodutos, a resposta, obviamente, é meramente e exclusivamente econômica. Segundo dados das próprias empresas, o custo operacional para se transportar minério de ferro via ferrovia é, em média, de 18,00 US$/ton, já por minerodutos, a média é de 2,00 US$/ton. Ou seja, a implantação de minerodutos nada mais é que uma estratégia de maximizar o lucro dos acionistas destas grandes corporações. Quem ficar sem água no caminho que se vire...

Os minerodutos possuem algo em comum. Além de todos os projetos possuírem inquéritos instaurados no Ministério Público, ambos estão sendo licenciados pelo IBAMA, mas contaram e ainda tem contado até o momento com o apoio do Governo do Estado. Uma das características do choque de gestão foi utilizar todo o aparato da máquina pública para beneficiar, à revelia da legislação ambiental, os empreendimentos minerários privados. Os Governos do PSDB (Aécio Neves 2003 – 2010 e Antônio Anastasia 2011 – 2014) assinaram decretos que declaram de utilidade pública as implantações dos minerodutos para fins de desapropriação e, ainda, colocam a serviço das mineradoras a empresa estatal CODEMIG para realizar o serviço sujo. Os decretos, assim como a emissão das outorgas para uso de água emitido pelo IGAM, foram assinados antes mesmo da concretização dos processos de licenciamento ambiental, ou seja, sem saber se há a viabilidade ambiental e técnica dos empreendimentos, o Estado tratou de reconhecê-los como fatos consumados.

Ao longo de dois anos, a Comissão Extraordinária das Águas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizou um importante e valioso trabalho sobre a questão hídrica no estado. Em seu relatório e a partir das audiências públicas realizadas, ficou nítido a compreensão e o posicionamento categórico da Comissão em relação aos minerodutos, pois estes representam graves retrocessos na politica estadual de recursos hídricos e devem ser contundentemente impedidos.

Com a demarcação das áreas denominadas “faixa de servidão para mineroduto”, milhares de pessoas estão com sua soberania ameaçada e seus projetos de vida em risco. Em todas as regiões do estado onde estas mineradoras projetam a implantação destes empreendimentos têm encontrado forte contestação e resistência popular. O que é natural, visto que as comunidades não são envolvidas nos processos de escolha e não possuem o menor controle sob suas riquezas minerais. O atual modelo de mineração adotado pelo Estado Brasileiro não tem nada a oferecer ao Brasil, a não ser um rastro de miséria e destruição social e ambiental ao povo brasileiro.
  
Governador Fernando Pimentel, o senhor foi eleito sob o lema “ouvir para governar”, e muitos dos que estão sofrendo com as mazelas da mineração em Minas creditaram e acreditaram neste lema ajudando a eleger este novo Governo. O povo mineiro já fez a sua opção, não quer assistir às suas águas, casas, nascentes, plantações, culturas, memórias, suor, comunidades e minérios entrando pelo cano; queremos sim, o quanto antes, nos livrarmos destes projetos que nada tem a nos oferecer e empenharmos conjuntamente para garantir a segurança hídrica do estado e isto, significa, definitivamente, enterrarmos de vez esta infeliz ideia de mineroduto.


*Membro da Coordenação da Campanha Pelas e Contra o Mineroduto da Ferrous e militante do Movimento Pela Soberania Popular Frente à Mineração (MAM)



No início de abril de 2014, o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) analisou o pedido de lavra da Ferrous na Serrinha, bem como a impugnação a ele feita pela ONG Abrace a Serra da Moeda, em 2011.
Na impugnação foram apresentadas uma série de irregularidades técnicas e jurídicas no Relatório de Pesquisa e no Plano de Aproveitamento Econômico da mineradora. O órgão as considerou procedentes e, junto com outros problemas detectados por ele, concluiu que o pedido de lavra na Serrinha está insatisfatório para outorga. Cabe à empresa sanar as irregularidades no prazo de 60 dias, prorrogáveis por igual período.

Destacamos as seguintes exigências feitas pelo DNPM à mineradora:

®    Apresentar atestado de capacidade financeira no valor de R$ 3,3 bilhões, uma vez que o atestado anterior, de R$ 40 milhões, é muito inferior ao valor previsto para o investimento na mina.
®    Refazer o projeto de lavra para a Serrinha, uma vez que o projeto apresenta valores incompatíveis tanto de reserva recuperada, quanto de volume das pilhas de estéril e de mão de obra, além de não especificar como será a drenagem e disposição das águas oriundas do rebaixamento do lençol freático, não prever a construção de uma estrada descendo a Serra da Moeda para transporte de estéril para pilha localizada no Córrego Ferreira e outras irregularidades que comprometem a qualidade do projeto de implantação da mina Serrinha.
®    Regularização das falhas no programa de gerenciamento de riscos e de controle médico e de saúde ocupacional dos trabalhadores.
®    Complementação do projeto de controle de impacto ambiental e de monitoramentos ambientais previstos.

®    Revisão do fluxo de caixa, acertando a vida útil da mina e incorporando custos omitidos no projeto, como a ferrovia, embarque do minério, investimentos com o mineroduto e custos advindos do termo de parceria entre as mineradoras Ferrous e Vale.

Enquanto isso, a mineração na Serrinha segue impedida. 



MINISTÉRIO PÚBLICO INVESTIGA DESPROTEÇÃO DE MONUMENTO NATURAL NA SERRA DA MOEDA


Vice Prefeito de Brumadinho recebe patrocínio de 150 mil da mineradora beneficiada pela revogação do Monumento Natural da Mãe D’água, na Serra da Moeda, um dia antes de anunciada a invalidação do decreto que criou a unidade de conservação.


O Ministério Público de Minas Gerais está investigando a relação entre a concessão de um portentoso patrocínio feito pela mineradora Ferrous Resources do Brasil e a “despreservação” de uma unidade de conservação na Serra da Moeda em Brumadinho.


No dia anterior à revogação do Decreto que criou o Monumento Natural da Mãe D’Água, unidade de preservação destinada a proteger 500 hectares na montanha e mais de 30 nascentes, o Vice Prefeito de Brumadinho, Breno Carone (PMDB), que na ocasião também era Secretário Municipal de Cultura e Turismo do município e presidente de uma associação “sem fins lucrativos” local, recebeu da mineradora Ferrous Resources do Brasil, interessada em explorar a montanha, a generosa quantia de 150 mil reais, supostamente para patrocinar o evento “Arte e Gastrô”, promovido pela Prefeitura em junho deste ano (veja em anexo o recibo)


O fato foi denunciado ao Ministério Público Estadual que está investigando o caso. De acordo com entrevista veiculada no Jornal Hoje em Dia, o promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto afirmou que “isolados, os dois fatos não pressupõem ilegalidades. Mas é evidente que a proximidade levanta a estranheza de, em tese, a revogação atender ao interesse da empresa”.


Levanta estranheza, ainda, a inexistência de um pedido formal de patrocínio, feito pela associação realizadora do evento, bem como a respectiva resposta da empresa, informando as condições de patrocínio, contrapartida da patrocinada e um contrato formal de patrocínio.


O MPE ouvirá representantes da mineradora e da prefeitura, que deverão esclarecer o fato. A promotoria de Defesa do Patrimônio se ocupará do caso, caso seja constatada alguma irregularidade. A legalidade da revogação do decreto original e do novo perímetro estabelecido para o Monumento também está sendo investigada pelo órgão.


Criado em fevereiro de 2013, o Monumento Natural Mãe D’Água é fruto de um intenso conflito ambiental protagonizado por comunidades que vivem na encosta e vale da Serra da Moeda, que há seis anos reivindicam a unidade de conservação no município, para proteger seu patrimônio natural, hídrico e cultural, hoje ameaçado especialmente pela expansão minerária pretendida pela Ferrous Resources, que atualmente busca licenciar a exploração mineral na mina Serrinha. A mina, localizada em Piedade do Paraopeba, está inoperante há quase 20 anos e foi adquirida pela Ferrous em 2007. Há seis anos essa  proposta vem sendo sistematicamente combatida pela população local que rechaça o empreendimento de exploração mineral ali, em função do alto impacto ambiental e social que trará para a região.


Como uma resposta à mobilização comunitária e ao compromisso assumido em campanha eleitoral, o Prefeito Antônio Brandão (PSDB) criou o Monumento, mas que durou apenas três meses.


Segundo informações da ONG Abrace a Serra da Moeda, “a Prefeitura cedeu às pressões econômicas contrariadas. Após a publicação do decreto, foram feitas algumas reuniões na Prefeitura com representantes das comunidades e a ONG Abrace a Serra, de um lado, e Ferrous e Inhotim, do outro. Enquanto a população clamava pela necessidade de manutenção do decreto, com seu perímetro original, a empresa e o Inhotim se posicionavam contrariamente a ele. Isto porque o primeiro decreto protegia, particularmente, a bacia de captação da nascente Mãe D’Água, responsável pelo abastecimento de água de cerca de 10 mil famílias, que será gravemente comprometida com a mineração na Serrinha, de acordo com o projeto de exploração mineral da Ferrous que atualmente tramita no DNPM. O decreto de revogação, publicado após o vice-prefeito receber a volumosa quantia da empresa, além de diminuir o perímetro do Monumento, comprometendo a sobrevida da bacia, cuidou de retirar a água do foco de proteção.



 MATÉRIA VEICULADA NO JORNAL HOJE EM DIA

31/07/2013 06:38 - Atualizado em 31/07/2013 06:38

Promotoria investiga "desproteção" de serra em Brumadinho

Alessandra Mendes - Hoje em Dia

A estranha coincidência entre um patrocínio generoso para um festival e a mudança da legislação de um município chamou a atenção do Ministério Público Estadual (MPE). A promotoria investiga se há relação entre R$ 150 mil doados pela mineradora Ferrous a um evento em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e a revogação de um decreto para a preservação da Serra da Moeda.

Depois de anunciar, em fevereiro deste ano, a criação do Monumento Mãe D’Água, a prefeitura voltou atrás e publicou uma retratação em 23 de maio. A decisão foi anunciada um dia depois de a Ferrous garantir o patrocínio do festival, realizado por uma agência presidida pelo vice-prefeito Breno Carone, à época também secretário de Turismo, Cultura e Eventos de Brumadinho. O Hoje em Dia  teve acesso ao recibo assinado por Carone.

“Isolados, os dois fatos não pressupõem ilegalidades. Mas é evidente que a proximidade levanta a estranheza de, em tese, a revogação atender ao interesse da empresa”, explica o coordenador das promotorias do Meio Ambiente, Carlos Eduardo Ferreira Pinto.

Representantes da mineradora e da prefeitura serão ouvidos pelo MPE para esclarecer o fato. Se encontrada alguma irregularidade, o caso será encaminhado para a promotoria de Defesa do Patrimônio.

A prefeitura garante que apenas apoiou o evento. Em nota, explicou que, “coincidentemente, o recibo assinado pelo vice-prefeito se deve ao fato de ele ser também presidente da entidade responsável pelo festival”.

Mais suspeitas

Além da suposta ligação entre as partes, o MPE investiga a legalidade da revogação do decreto. A prefeitura esclarece que a decisão foi tomada em função de “inconsistência técnica”, já que o monumento invadia Moeda, Itabirito e Nova Lima.

“Vamos checar se os argumentos procedem. Agora estamos na fase de avaliação técnica, e os resultados preliminares apontam que a decisão implica em uma redução de cerca de 10% da área protegida originalmente”, afirma o promotor. Dado que desmente a administração municipal, que alega que o novo decreto resultou no aumento da área de preservação de 180 para 680 hectares.

Mesmo que a decisão do prefeito de Brumadinho tenha amparo legal, a mudança do tamanho da área protegida não implica no uso do pedaço excluído para atividades minerárias.

“São coisas completamente distintas. A serra é de extrema relevância ambiental e qualquer processo para exploração no local teria que ser muito cauteloso”, diz Ferreira. Até agora, não há pedido para uso da área por mineradoras ou outras empresas.

Amadeu Barbosa/Hoje em Dia
Prefeitura alega que ampliou a área de proteção na Serra da Moeda






Revogado o Monumento Natural da Mãe D’água, na Serra da Moeda, em Brumadinho - MG.
População está consternada.

No mês do meio ambiente, a população de Brumadinho não tem o que comemorar. Isto porque, após quatro meses de existência, o Monumento Natural da Mãe D’Água, unidade de conservação destinada a proteger mais de 30 nascentes de água e 500 hectares na montanha, foi revogado, à despeito tanto da lei quanto do anseio das comunidades locais.
O Monumento Mãe D'Água é fruto de um intenso conflito ambiental protagonizado por comunidades que vivem na encosta e vale da Serra da Moeda e que há seis anos vinham reivindicando a unidade de conservação no município.
Em resposta ao compromisso assumido em campanha eleitoral, o Prefeito instituiu a unidade de conservação em fevereiro deste ano através de um decreto, o  que foi amplamente comemorado pela população de Brumadinho e RMBH,na sexta edição do Abrace a Serra da Moeda, que aconteceu no dia 21 de abril deste ano e reuniu 10 mil pessoas.
Com o novo decreto, publicado no dia 23 maio, a Prefeitura revoga o anterior, diminuindo substancialmente os limites de proteção propostos inicialmente ao retirar da área de proteção integral a bacia de captação da principal nascente, que leva o nome do Monumento.
O novo decreto permite, ainda, o rebaixamento do lençol freático por atividades no entorno da unidade de conservação, o que acarreta o esgotamento das nascentes da área e viabiliza o projeto ambicioso de exploração mineral Serrinha.
Segundo informações da ONG Abrace a Serra da Moeda, “a Prefeitura cedeu às pressões políticas e econômicas contrariadas. Foram feitas algumas reuniões na Prefeitura com representantes das comunidades, entidades, mineradora contrariada e museu local, e o Prefeito garantia a proteção do lençol freático. No entanto, o Decreto diz exatamente o oposto”.
 Além disso, a assessoria jurídica da ONG afirma que o Decreto é considerado ilegal e inconstitucional porque a redução de limites de unidade de proteção somente pode ser feita por lei específica, mesmo que o ato que a criou seja um Decreto. Trata-se de uma área especialmente protegida e as normas ambientais são protecionistas no que se refere ao processo de criação de unidades de conservação. A criação de UC´s pode ser por qualquer ato do Poder Público, mas a diminuição de limites ou a extinção somente pode ser feita por lei específica. Com isso, evita-se que áreas de relevante interesse ambiental sejam criadas e extintas pelo livre arbítrio de um governante.     

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O Monumento Natural, que tem apenas 11 dias de existência, vem sofrendo fortes ameaças. Mineradoras, em parceria com outros setores da sociedade de Brumadinho, estão pressionando sistematicamente o prefeito.



Atendendo ao anseio de mais de 10 comunidades de Brumadinho que vivem na encosta da Serra da Moeda e de seu vale e que vem há seis anos lutando pela preservação da Serra da Moeda e sua biodiversidade, o Prefeito do município, Antônio Brandão (PSDB), instituiu, através de decreto, o Monumento Natural da Mãe D'Água: unidade de proteção integral que garante a preservação de mais de 30 nascentes em 500 hectares na montanha.

Contudo, o Monumento Natural, que tem apenas 11 dias de existência, vem sofrendo fortes ameaças. Mineradoras, em parceria com outros setores da sociedade de Brumadinho, estão pressionando sistematicamente o prefeito de Brumadinho para que área protegida seja reduzida de modo a viabilizar seus empreendimentos minerários, incompatíveis com a preservação da Serra. Além disso, a empresa cooptou pessoas nas comunidades do interior que estão disseminando inverdades sobre a zona de amortecimento do monumento natural, que é um zoneamento como aqueles que constam no plano diretor do município, e que não inviabiliza nenhuma atividade.
Como modo de reiterar a necessidade e importância do Monumento para a proteção de nascentes, representantes da ONG Abrace a Serra da Moeda, moradores da encosta da Serra e vale se reuniram sexta feira, dia 08 de março, às 16 horas na Prefeitura de Brumadinho, para defender a manutenção da unidade de conservação, bem como seu adequado manejo e uso. Para Ana Amélia, Presidente da ASMAP e Diretora de Comunicação do Abrace a Serra: "O Monumento é uma importante e legítima conquista das comunidades que querem preservar a água e a vida na Serra e promover o desenvolvimento do turismo local, uma importante via de desenvolvimento que se apoia nas nossas riquezas e belezas naturais e culturais. Não é justo que o poder econômico sobrepuje a vontade popular. E é isso que viemos falar ao Prefeito: que ele conserve o Monumento da Mãe D'Água para que a gente conserve a nossa Serra para nós e as futuras gerações".